Naclara/ junho 29, 2018/ Testando, Tutoriais/ 0 comments

O plate é uma parte importantíssima dos nossos patins. É imprescindível conhecermos suas partes para podermos alinhar às nossas necessidades de performance. Vamos começar pela análise básica de cada parte do plate.

Previamente aviso que alguns termos estão em inglês e outros são traduzidos pois nem todos encontrei o nome em português ou porque são mesmo mais conhecidos pelo nome estrangeiro.

PARTES DO PLATE

Imagem retirada do site Derby Warehouse

1 – Base do plate

2 – Kingpin

3 – Amortecedor

4 – Retainer

5 – Rosca do kingpin (kingpin nut)

6 – “Pneu” da roda (wheel tire)

7 – “Miolo” da roda (wheel hub)

8 – Rolamento

9 – Rosca do eixo

10 – Truck

11 – Eixo (Axle)

12 – Pivot Arm

13 – Chupeta (Pivot cup)

14 – Entrada do Toe Stop

15 – Parafuso de fixação

16 –  Toe stop

 

MATERIAIS DO PLATE

Existem diversos materiais dos quais os plates são feitos e cada um tem suas características. Para saber qual dos materiais escolher, tenha em mente o que você precisa para sua performance e seu nível atual (se tem maior ou menor segurança sobre os patins). Simplificando, você pode escolher entre ter um plate de nylon ou de metal (que tem mais variações).

 

  • Nylon

Plate de nylon

Prós: leves (menos peso, menos esforço), baratos (para quem está começando, isso muitas vezes é primordial).

Contras: dependendo da marca, podem ser pouco resistentes e flexíveis demais (o que faria a energia aplicada sobre eles se perder em grande parte antes de chegar nas rodas, necessitando uma maior aplicação de força para que a energia não se disperse).

 

  • Liga de alumínio

Plate de alumínio

Prós: mais rígidos (menos dispersão de energia), mais voltados para um nível competitivo de patinadora.

Contras: podem ser bem pesados dependendo do tipo escolhido, apesar de terem gradações de peso de acordo com o nível do plate.

 

  • Liga de magnésio

Plate de magnésio

Prós: mais leves e mais rígidos que a maioria dos plates de alumínio, focados em patinadoras mais avançadas, mais duráveis. Alguns existem a opção de vir com trucks de titânio, o que eleva muito o nível do patins.

Contras: são mais caros

 

KINGPINS

É o kingpin que liga a base do plate às rodas, segurando os amortecedores e trucks no lugar, mas além desta função mais “técnica”, é ele que define muitos aspectos da sua patinação. É aqui que as particularidades dos plates ficam mais complexas, pois há diferentes ângulos e ajustes possíveis que podem fazer muita diferença na sua patinação.

A angulação do plate é uma escolha muito pessoal e não está diretamente relacionada ao seu nível de patinação. Serão aqui abordados diversas especificidades de cada ângulo, mas um resumo para se ter em mente sobre a angulação dos plates é:

  • ângulo menor = mais estável
  • ângulo maior = mais ágil, maior tendência a responder a movimentos de lateralidade nos edges (troca de peso lateral no pé, como em curvas)

5º a 10º

São os ângulos mais estáveis, conferindo maior estabilidade por serem mais rígidos. Isso gera bastante impulsão nas passadas. São mais associados à velocidade e precisão devido à menor perda de energia por “tombar” menos de uma lado ao outro.

Exemplos de modelos de 10º: PowerDyne Reactor, o novo SureGrip Avanti

Jogadoras que já usaram essa angulação: Suzy Hotrod, Fifi Nomenon, Amanda Jamitinya e Jackie Daniels

15º a 20º

São os mais comuns no roller derby. Os patins de iniciante geralmente vêm com plates de 16º, porque não tendem a nenhum dos extremos. Possuem um pouco mais de lateralidade mas sem perder tanto a estabilidade. Consegue-se uma lateralidade boa sem perder o poder nas passadas.

Exemplos de modelos de 15º ou 16º: PowerDyne Revenge ou Rival, ou Pilot Falcon

Jogadoras que já usaram essa angulação: Rogue Runner, Stef Mainey, Bonnie Thunders, Sutton Impact, Kid Block

Exemplos de modelos de 20º: Crazy Venus ou Roll Line

Jogadoras que já usaram essa angulação: Demanda Riot, OMG WTF e Kitty Decapitate

33º

São mais raros e são extremamente flexíveis com uma significativa tendência à lateralidade. Quanto mais “íngreme” o ângulo, menor pressão deverá ser feita a ponto de fazer os eixos virarem para a curva. As curvas tornam-se mais fechadas mas é menos preciso, causando mais instabilidade, e mais lento (devido à perda de energia nessa lateralidade, perdendo poder na passada).

Exemplos de modelos de 33º: Avenger DA 45, da Sure Grip, que apesar de dizer ter 45º, na verdade são 33º (a medida do nome dele não foi baseada no ângulo do kingpin, mas no do truck, sabe-se lá por quê) ou Snyder

Jogadoras que já usaram essa angulação: Serelson e Evada Peron

PLATE SEM KINGPIN

É um design inovador onde é descartada a perda de energia que pode ocorrer em movimentos para frente e para trás que os amortecedores circulares geram. São usados amortecedores de formato borboleta que permitem que os eixos movam-se apenas lateralmente, o que faz a transferência de energia ser muito mais intuitiva.

Exemplos de modelos sem kingpin: somente o PowerDyne Arius

Jogadoras que já usaram essa angulação: Juke Boxx, Kamikaze Kitten e Gaz.

 

TENHA EM MENTE!

Independente do ângulo dos seus kingpins, a dureza de seus amortecedores também pode influenciar na “dramaticidade” do movimento dos seus patins. Plates de angulação maior com amortecedores extremamente macios terão movimentos ainda mais drásticos, enquanto um com amortecedor mais duro não “balançará” tão facilmente.

Também mexer no ajuste da rosca do kingpin, afrouxando ou apertando o truck, fará diferença nessa lateralidade. Manter o truck mais frouxo, desaparafusando um pouco a rosca do kingpin, deixará o seu movimento nos edges mais intenso e aparafusar e deixar mais apertado deixará o movimento do truck mais rígido..

Lembre-se que qualquer item macio demais em seus patins, seja a bota, amortecedores, palmilhas, rodas, tendem a absorver mais energia gerada por seus movimentos e causar uma perda maior dela, tornando movimentos menos rápidos ou precisos. Quanto mais duro o material, mais rápida a transferência de sua energia por ele e mais rápida e precisa a resposta.

 

Beijos para todos os nerds do derby que leram até aqui! <3

 

 

 

 

 

 

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About Naclara

Naclara joga roller derby desde 2012 e atualmente é diretora de Treinamento e atleta nas Sugar Loathe do Rio de Janeiro. Desde 2015 é atleta da Seleção Brasileira de Roller Derby, tendo jogado na Copa do Mundo de 2018.

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