Minimum skills e a base do derby

Naclara/ maio 25, 2016/ Treino/ 4 comments

Essa semana na minha liga, as Sugar Loathe Roller Derby, fizemos nossas avaliações dos minimum skills de todas as nossas atletas. Decidimos fazer de todas meeesmo, inclusive das mais veteranas velhas de guerra, pra recomeçarmos todos partindo dos mesmos critérios.

Para quem não sabe, os minimum skills (baseados nos da WFTDA em https://wftda.com/resources/wftda-minimum-skill-requirements.pdf) englobam habilidades de patinação básica (passada, postura, crossover, resistência, paradas…), capacidade de recuperação de quedas, equilíbrio e agilidade (stepping, pulos, transições…), habilidades de pack e interação (puxar, empurrar, desviar) e de bloqueio (posicional, com hits…).

Foram meses de preparação das fresh meats (iniciantes) e os resultados foram ótimos. Não só para as atletas que tiveram grande aproveitamento e subiram de nível, mas também para nós do Treinamento, que pudemos ver nossos esforços refletidos em bons resultados.

Muitas meninas não entendem o por quê dessa avaliação, sentem-se pressionadas, ficam nervosas. Às vezes o nervosismo é tanto que têm problemas para executarem coisas que fazem durante os treinos. E é também nesse quesito que o Treinamento deve ficar de olho, pois na hora de entrarem em um jogo, todo esse nervosismo pode afetar o time dentro da pista. É importante que elas entendam que os minimum skills nada mais são do que uma forma de acompanhar seus desenvolvimentos e saber no que podemos melhorar da próxima vez.

 

Se você tem interesse em saber como fizemos nossas avaliações, entre em contato comigo. Ficarei feliz em ajudar.

 

Por isso, hoje trouxe um texto traduzido (livremente por mim) da atleta Kiki’n Da Teef, #512, da Garden State Rollergirls que expressa muito bem toda a questão dos minimum skills.

 

Minumum Skills: pare de pirar

Ah minimum skills.

As freshies na minha liga tiveram o teste dos minimuns na segunda-feira. Vê-las se preparando me lembrou de como me senti quando eu passei pelas mesmas emoções apenas alguns meses atrás.

Sim. Meu teste de freshie foi em 19 de novembro de 2015. Meu primeiro teste foi em algum momento em junho de 2015, eu não lembro a data exata porque eu não passei.

Eu digo isso por uma razão. Eu não passei na primeira vez que fui testada. Eu morri? Minha vida acabou? Eu parei com o derby? Não.

Algumas patinadoras dizem o quanto o derby mudou suas vidas; eu digo o mesmo. Alguns amigos que participaram de esportes coletivos na juventude também disseram o quão difícil derby é comparado a qualquer outra disciplina que eles tiveram anteriormente. Eu não posso falar muito de esportes de equipe já que o derby é o primeiro esporte de equipe que eu participo, mas eu posso falar sobre esportes em geral e das disciplinas em que estive. A minha maior foi esquiar, e adivinha o quê? Minha maior decepção aconteceu quando eu não passei um dos testes de habilidade, porque eu não conseguia virar enquanto mantinha meu pés perfeitamente paralelos.

Eu devia ter doze anos. Até esse momento eu sempre havia passado de primeira em tudo. Então imagine meu pequeno coração partido em pedaços quando me disseram que eu falhei! Eu chorei por atrás dos meus óculos e eles embaçaram. Eu estava tão nervosa comigo mesma! Como eu podia ser tão falha?

No entanto, minha vida não acabou.

Eu não desisti de esquiar depois daquele episódio triste. Eu eventualmente consegui esquiar com meus pés paralelos e eu ia muito bem. Meu treinador me disse que eu deveria começar a participar de competições. Ah, eu só queria me divertir e disse “não, obrigada”, e eu continuei esquiando e curtindo sem maiores testes.

Essa foi uma de muitas falhas que eu tive que lidar na minha vida, mas esta foi importante porque não envolvia escola, relacionamentos ou trabalho. Envolvia esportes. O que eu aprendi dessa experiência? Eu falhei, mas eu não desisti. Eu fiz o que tinha que fazer para ser bem sucedida. Prazos não importam. Eu simplesmente sabia que passaria se eu quisesse e trabalhasse duro para isso.

Avançando rápido para vinte anos depois. Estou com 32 e decidi começar no roller derby. Eu já disse para mim mesma que eu sou muito velha para isso. Porque eu deveria quebrar um tornozelo? Eu me machuquei no passado, fazendo esportes, e também só vivendo a vida, e lesões são um saco! Eu faço treinos insanos! Eu estou em forma e sou forte. Derby é só um capricho, não é? Sim, eu só vou aprender a patinar e então desistir. Eu nem curto competições, de qualquer forma. Muito estressante. Sim, com 32 anos, eu já tive estresse o suficiente na minha vida até agora. Eu vou com calma.

O que ninguém me disse é que derby é mais, muito mais que somente patinar em círculos. Eu entendi isso muito rápido. Eu me apaixonei loucamente pelo esporte e, de repente, ter 32 anos e muitos estresses na vida já não importava mais. Eu queria aquilo. Eu queria muito aquilo.

Eu entrei em abril de 2015. O primeiro teste aconteceu em junho de 2015. Naquele momento eu mal fazia transições. Meu equilíbrio era meio ok. Meus crossovers precisavam melhorar, melhorar muito (veja meus crossovers maravilhosos na foto abaixo). Meus pulos eram tristes. Eu fiz 23 voltas em 5 minutos.

No dia do teste, eu entrei lá com o maior e mais luminoso fogo no meu coração. Eu disse a mim mesma que daria tudo e, se eu passasse, passei. Se não, eu tentaria de novo.

 

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Courtesy Sean Hale Photography. @seanhaleyeah

Eu forcei tanto que eu achei que quebraria. Eu realmente acreditei que eu tinha uma chance. E então os resultados vieram no dia seguinte. Eu não me graduei.

Eu estaria mentindo se dissesse que não me senti um pouco triste. Minhas companheiras do derby com quem comecei mudaram para o próximo nível e eu fiquei presa no canto. Rapidamente, entretanto, eu calei aquela voz negativa. Eu mal tinha começado três meses atrás. Há três meses eu nem conseguia patinar. Eu não conseguia parar. Eu não conseguia fazer nada. Bem, eu podia deslizar e rezar. Isso eu podia fazer.

Eu lembrei de como me senti depois de falhar no teste de esqui. Eu lembrei de como eu trabalhei duro e o quanto eu continuei tentando. Eu lembrei de ter passado. Sentir-me forte nos meus esquis. De ir rápido ladeira abaixo, sabendo que podia parar. Eu conseguia estar no controle, com segurança.

E é sobre isso que os minimum skills são. SEGURANÇA. Patinadoras veteranas querem ter certeza que você não é um perigo para os outros e para você mesma. Não tem nada a ver com orgulho, valor pessoal ou quão durona você pensa que é. Não tem nada a ver com “se ao menos” ou “mas”. Não tem nada a ver com sua inteligência ou o seu entendimento de estratégia. PARE DE PIRAR. As patinadoras mais experientes querem ver se você tem controle dos seus patins, se você pode mudar de direção, se você pode parar, se você pode se equilibrar em ambos os pés e transitar pelo track o mais seguramente possível se alguém cais na sua frente.

Porque, deixe-me te dizer, uma vez que você está apto ao contato e pode participar de scrimmages, há outras coisas para se preocupar. Eu assisti a um video de um de nossos scrimmages ontem e, apesar de eu pensar que eu parecia uma girafa perdida o tempo todo, eu também notei que eu caía pequeno, me recuperava rapidamente, eu parava quando preciso, desviava de patinadoras caídas e podia acompanhar o pack.

Eu não sou profissional. Eu não tenho nem mesmo um ano de experiência. Eu sou extremamente agradecida de não ter passado meus primeiros minimum skills, entretanto. Se eu não tivesse trabalhado no básico de novo e de novo, eu não poderia estar no track com outras 9 pessoas, duas dela indo em uma velocidade louca e batendo na wall como se as quisesse mortas. Ok, isso talvez seja exagero. Jammers não querem que as blockers morram. Elas só querem passar por elas enquanto as blockers querem evitar que elas façam isso.

Existe um motivo para os minimum skills e se as patinadoras veteranas acham que você não está pronta, não leve para o lado pessoal. Não é uma competição. Todo mundo faz isso no seu próprio tempo. É simples assim. Só patine, dê o seu melhor e continue em frente.

Últimos conselhos: cale aquela voz negativa e continue indo aos treinos.

Você consegue.

(não lembro a fonte onde peguei isso...)

(não lembro a fonte onde peguei isso…”Continue indo em frente no seu próprio ritmo. Treinar é uma jornada, não uma corrida. <3 )

Fonte:

Minimum Skills: Stop Freaking Out

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About Naclara

Ana Clara Miranda por nascimento. Naclara ou Portu´Gal por batismo de track. Atleta da seleção brasileira de Roller Derby. Treinadora e jogadora da liga Sugar Loathe Derby Girls, do Rio de Janeiro.

4 Comments

  1. Thank you so much for featuring my post. I’m ecstatic you found it helpful and inspiring. Keep up the good work!! <3

    Keeks

    1. Thank you for the awesome post! Let’s keep working! <3

  2. Oie!! Acabei de ver atrasada que tem post novo sobre minimuns!!! <3 Vou ler até o findi! Por enquanto,m só lembrar que a tuga do derby é da JammerCandy!! <3 http://jammercandy.bigcartel.com/
    Sou louca pelas artes dela! hahaha Beijos!!

    1. Ah, que legal saber, Anna!!!
      =D

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